Abril 2013
Conheço-te dos dias de sol e de chuva
E, também, das noites
De todos os dias que terminam cedo demais
Conheço-me contigo
A sorrir
Nas palavras e silêncios
Conheço-me nas partidas
Com lágrimas cercadas num coração de arame
Com palavras de circunstância
E outras, que não o sendo, fazem companhia às lágrimas, no coração de arame
Conheço-me nas chegadas
Feliz
Como não possível de escrever
Como afirma a música
“Não há nada no universo
Que aconteça sem o não e sem o sim”
Mas, QUERO-TE tanto
[Talvez, em todos os dias que assim terminam cedo demais]
Até esses dias,
Elsa
domingo, 28 de abril de 2013
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
Amanhã o sol não surgirá no horizonte
A noite perdurará
A ilusão morrerá de frio
Primeiro sentirá as extremidades a
arrefecer
Procurará o fogo
Sem o encontrar
Todo o corpo de ilusão entrará em
hipotermia
A noite não será mais bela
[Nem uma vaca preta]
As estrelas por mais que brilhem
Não apagarão a solidão de nos sabermos
sós
A memória há-de trair-nos
Em cada instante sem sol
Sabendo-o já uma quimera
A ilusão, essa, como disse,
Morrerá de frio
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
Morrem-me sonhos
Devagarinho
Após dias, meses e anos
Comigo
Como é possível
Não me darem tempo
De lhes verificar o pulso e a
respiração
Chamar o INEM
Colocar um plano duro
Iniciar-lhes suporte
Como é possível?!
Nem lhes conseguir colocar um acesso
venoso
Como é possível?!
Sobreviver à eutanásia dos sonhos
sábado, 3 de novembro de 2012
Abro a porta de casa
Adivinho presentes as pessoas que amo
Não as procuro
Sei-as lá
Gostava de dizer
Que lhes senti a ausência
Que continuam a ser-me essenciais
Como tudo que amo
Não o faço
Ainda não tenho a chave da cela em que
me prendo
Digo palavras de circunstância
Faço gestos de circunstância
Sou, concerteza, resultado de
circunstâncias
Vou para o meu único quarto dos muitos
em que vivo
Incapazes de me pertencer por ausência
de passado
Pesa-me a Alma de sono
Resiste a Alma ao sono pela gana de revisitar
as memórias
Revisitar a memória impele-me a
escrever
Uma espécie de bálsamo para quem
deseja memórias brilhantes
E, leio textos de outrora
Vejo imagens de outrora
Quase que adivinho sons de outrora
Raiva de ver tudo tão presente e tudo
ser somente passado
Raiva dos sentidos que me traem
Raiva da consciência que não se deixa
trair
Raiva de Ti,
Deus
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Será que ainda vamos a tempo
De viver o futuro
Esquecer os dias em que não trocamos palavras
As semanas em que não existiram abraços
Os meses em que nada soube de ti
Conseguirei estrangular a mágoa
A incerteza quanto ao teu amor
Durante quantos anos desejei ter a legitimidade de amar-te
Tens receitas para matar isso em mim
[Cianeto, cloreto de potássio ou apenas 4 gr de paracetamol,
O que recomendas?]
Terá sido “mea culpa”?
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
sábado, 29 de outubro de 2011
Sou feliz
Ouço
A música que quero
Vivo
As pessoas que quero
Sou
O que quero
Menos, mais e o que quero
Do que aceitar o Presente?
terça-feira, 20 de setembro de 2011
1º Cenário
Tarde de Domingo. Chegamos a casa após o café. O meu pai segura na mão um objecto cujo nome desconheço. Aproxima-se de uma árvore pequenina e desenterra-a para a voltar a enterrar na mata que rodeia a nossa habitação. Não é um cenário que já não tenha acontecido. Com as mesmas personagens. Termina todo o processo. Chove. E ele grita da mata enquanto contempla a árvore:
- Elsa abre a torneira para eu regar a árvore.
Chove.
- Pai… Chove!
- Correcção. Chove um bocadinho. Sai mais água da mangueira!
2º Cenário
Tarde de Domingo. Jogamos cartas (sueca) com os nossos amigos no café. É a vez do Sr. Domingos dar cartas.
Ele mostra a carta de trunfo e à volta coloca três aglomerados de cartas. Forma uma pirâmide.
Eu:
- O Sr. Domingos está a dar cartas ou a distribuir o tarot... Só falta o turbante para parecer a Maya.
3º Cenário
Tarde de um dia qualquer. Diz-me uma pessoa a falar de outra:
- Ela é pior do que o Espírito Santo!
- Não percebi!
- Pior do que o Espírito Santo… Está em toda a parte.
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