domingo, 12 de junho de 2011
Mudo a cor do cabelo, a marca do batom, o formato do biquíni que uso.
Mudo de roupa e de sapatos.
Mudo.
E gostava de mudar-me de mim.
Posso?
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Concebo-me pessoa numa estória de amor
Não correspondido a todos
Apenas aquele
Em que encontrar
É medo de já não ser suficiente
Vejo-a ser levada
Sinto-a beijar-me com o olhar
Sigo-a
[Até perder o que sou]
Vejo-a ser despida
Para que o Deus dos Homens
Veja a sua imundice
Onde só vejo a mulher
[Que amo]
Planeiam esfola-la
Faço-os procurar a pedra
Que os constitui
Ficamos sós com o temp(l)o
Seguro-a nua
Quero-a. Abraço-a.
Foco-me na nossa hiperventilação
Quase a beijo
Abraço-a. Quero-a mais.
Não há tempo.
Mato-a com as minhas mãos
Pertenço-lhe e à sua elipse
Abandono-nos. Apedrejam-na.
Sei-me morto
Por um beijo que não foi dado
Pertenço-lhe
quarta-feira, 30 de março de 2011
sexta-feira, 18 de março de 2011
I
À luz da vela
Branca
Recém-acesa
Iluminadora
De lápis verde
Infinito
Útil
A Lua. Longe,
Quase escondida,
Mas, deste lado da Terra
Invadida por sons, ruído, barulho
TOM… TOM… TOM…
Computador desligado!
À procura
No interior e exterior
De mais luz
À procura de um NADA
Aquele,
Um NADA que é TUDO
À procura de Ser
II
À procura do NADA/TUDO
O NADA Eu
OTUDO o Outro
O Outro mágico
Espelho do Eu
[Esse EU sem Outro
Solidão]
III
A luz da vela mantêm-se
Chegará para iluminar-me?
quarta-feira, 9 de março de 2011
Geração rasca
Geração «à» rasca
Afirmam-se
Cansados de SER
Jovens licenciados desempregados
Jovens desempregados
Jovens
Afirmam-se
Exaustos de estudar
Exaustos
[Possuirão ainda ânimo para trabalhar?]
Afirmam-se
Imobilizados pelo sistema
Do trabalho precário
Das entrevistas fachada
Dos CV`s
[Alegrem-se
Chegará o dia em que morrer
Estará pendente do respectivo, CV!]
Afirmam
Não há trabalho.
[Correcção: O emprego
Não espera apanhar-nos à socapa
À saída da universidade.
Existirão empregos?]
Afirmam
Não tenho meio de transporte.
[Correcção: O carro
Não espera apanhar-nos à socapa
À saída da DGV.]
Afirmam
Não posso ter uma casinha.
[Correcção: A casinha
Também, não espera apanhar-nos à socapa.]
Afirmam-se
Cansados de não TER!
SER, já não é prioritário!
Afirmam-se
Cansados de SER!
terça-feira, 1 de março de 2011
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
As personagens que interpreto
Serial Killer
O turno chegou ao fim… Termino de passar aos meus colegas a minha última puérpera e respectivo recém-nascido. Despeço-me de todos desejando um bom trabalho. Só volto na tarde de domingo. Subo de piso e dirijo-me ao vestiário para despir a farda. Cumprimento todos os que se cruzam comigo e desejam um bom-dia… Quando só quero que seja um bom final de noite! Desço escadas e mais escadas… Faço a biometria… Saio da maternidade com a sensação de que fiz o melhor que sabia e não consegui ser perfeita. Caminho até casa. Chego à porta do meu prédio e procuro as chaves. Meto a mão dentro da mala e procuro algo metálico. Aproxima-se um vizinho de mão dada com uma criança (Talvez se tenha esquecido de algo em casa?). Eu, vitoriosa, tiro a mão da mala… Trago uma tesoura na mesma. O meu vizinho puxa a criança para si e apresenta uma expressão atemorizada. Imagino que pensa: Partilho o prédio com uma serial killer!
O turno chegou ao fim… Termino de passar aos meus colegas a minha última puérpera e respectivo recém-nascido. Despeço-me de todos desejando um bom trabalho. Só volto na tarde de domingo. Subo de piso e dirijo-me ao vestiário para despir a farda. Cumprimento todos os que se cruzam comigo e desejam um bom-dia… Quando só quero que seja um bom final de noite! Desço escadas e mais escadas… Faço a biometria… Saio da maternidade com a sensação de que fiz o melhor que sabia e não consegui ser perfeita. Caminho até casa. Chego à porta do meu prédio e procuro as chaves. Meto a mão dentro da mala e procuro algo metálico. Aproxima-se um vizinho de mão dada com uma criança (Talvez se tenha esquecido de algo em casa?). Eu, vitoriosa, tiro a mão da mala… Trago uma tesoura na mesma. O meu vizinho puxa a criança para si e apresenta uma expressão atemorizada. Imagino que pensa: Partilho o prédio com uma serial killer!
Cleptomaníaca
Tarde de sábado. Matámos o tempo que falta para o jantar a divagar pelo Ikea. Logo à entrada encontro um peluche enorme: um elefante. Faço fitas e mais fitas com o intuito que o comprem… 100 resultado. Ainda caminho com ele durante 15 minutos até o abandonar. Já no armazém vejo outro elefante com a cabeça enfiada num balde. Ignoro o restante cenário e seguro nele triunfante… Até perceber: o balde está dentro de um carrinho de compras (um carrinho de compras esquisito, mas carrinho de compras!) e ao lado está a futura dona a esclarecer-se junto de um funcionário… Os dois ficaram estupefactos! Imagino que pensam: É uma cleptomaníaca!
Tarde de sábado. Matámos o tempo que falta para o jantar a divagar pelo Ikea. Logo à entrada encontro um peluche enorme: um elefante. Faço fitas e mais fitas com o intuito que o comprem… 100 resultado. Ainda caminho com ele durante 15 minutos até o abandonar. Já no armazém vejo outro elefante com a cabeça enfiada num balde. Ignoro o restante cenário e seguro nele triunfante… Até perceber: o balde está dentro de um carrinho de compras (um carrinho de compras esquisito, mas carrinho de compras!) e ao lado está a futura dona a esclarecer-se junto de um funcionário… Os dois ficaram estupefactos! Imagino que pensam: É uma cleptomaníaca!
São horas de dormir... A menos que seja recém-nascido e ainda não tenha tido tempo de comprar um relógio ou seja enfermeira e esteja a fazer o turno da noite. Sim, são 3h da madrugada e tenho uma mãe exausta e um bebé que terminou de mamar, choroso. Apercebo-me que fica mais calmo quando o seguro no colo e faço compressão com as perninhas dele na barriguinha (sim, são perninhas e barriguinha!). Faço-lhe uma massagem abdominal enquanto faço o respectivo ensino à mãe, que surte efeito (como gostamos de escrever). Passam 10 minutos e aquele bebé adormece assim como a mãe. São 7h e aquela mãe está a amamentar. Pergunto-lhe se conseguiu descansar. Responde-me que dormiram até às 6h30 e acrescenta: A menina Enfermeira é um anjo… um anjo branco!
Ultimamente fazem-me com frequência a mesma questão: És assim?
Ao que respondo: Assim e muito mais!
Ao que respondo: Assim e muito mais!
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Janeiro de 2010
Resposta ao: Questionário aos licenciados pela ESEnfC em 2009
O desempregado
Não tem nome
Não tem corpo
Não tem emprego
É anónimo!
[Talvez para que não invejem a sua sorte!]
É jovem, bonito até…
É um estimado Enfermeiro.
Tem uma LICENCIATURA.
Conseguida com o seu esforço,
O dinheiro dos pais
E, até, do país!
Já está a trabalhar?
Sim ou Não
Já trabalhou!
“Se respondeu “Não” o preenchimento está concluído.
Pf devolva o questionário.
Muito obrigado.”
[Não tem a experiência requerida para:
Fazer um comentário relativamente à satisfação/insatisfação com o curso
O que considera que pode ser melhorado na Formação em Enfermagem da licenciatura
Ou outros aspectos!]
“Localização da instituição onde trabalha”
“A formar enfermeiros para a Europa…”
Como que a adivinhar FORA do país.
Por enquanto não…
(...)
“O seu contrato é”
A termo certo
Aliás, certo demais!
O desempregado
Não tem nome
Não tem corpo
Não tem emprego
É anónimo!
[Talvez para que não invejem a sua sorte!]
Saiu da Escola Superior
Saiu da instituição de Saúde em que trabalhava
Já, só procura ENTRAR
Ter um nome
Um corpo
Um emprego
Ser o Enfermeiro X.
[Talvez para que não invejem a sua sorte!]
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Para seres FELIZ,
AmaNão mais do que podes
Não mais do que o outro pode receber
Esvazia-te de ti
Para que o outro possa entrar
E se o outro
À porta de ti ficar,
Desilude-te, e sorri
Menos uma ilusão
A consumir-te
Fragmenta-te
E recusa colagens
Recria-te
Almeja
Ser mais FELIZ
No singular
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