terça-feira, 3 de setembro de 2013

Foi

Um simples acaso
Um grande erro
Uma decisão

Foi
[Não o é e não será?]

Beija-me pela última vez
E desliga o tempo

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Num dia maior
Transformo a dor em palavras
E as palavras em poesia

Num dia maior
Um sorriso
Apagará todas as lágrimas

Num dia maior
A morte, mesmo que certa,
Não ceifará a vida

Num dia maior
Ou num solstício de verão
Fugir para a frente

Querer, ao limite,
Fugir do presente
Do passado

Não dos outros
Fugir de nós e para a frente

100 olhar para o lado

Abdicar de pensar
Ir
100 regresso programado

[Ser trapézio sem rede!]

Fugir para a frente, porquê?
Porque a vida pode parar
Mas não anda para trás

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

A poesia

É rezar a um Deus
Que não vejo
Que não sinto
Que não sou


Em que acredito

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

"Mais que de máquinas,
Precisamos de humanidade"

Mais que de seres,
Precisamos de seres humanos

Mais que de ruído,
Precisamos de música

Mais que de letras,
Precisamos de poesia

Mais que de sol,
Precisamos de dias de sol e chuva

Mais que da terra e do espaço,
Precisamos do universo

Mais que de metades,
Precisamos de pessoas inteiras



segunda-feira, 26 de agosto de 2013

As tuas chegadas sem um beijo
As tuas partidas com beijos
Que terminam antes de começar
Roubam-me o sorriso

Quando de dia vives sem conhecer-me
E à noite tocas o que sou
Roubas-me o sorriso

Quem és tu?
De que tens medo?
Perguntas, só perguntas!
Roubam-me o sorriso

[Tenho de ir à esquadra mais próxima
Talvez o encontrem
À deriva]

Vou esperar o tempo
Que tudo cria e tudo mata
E, também, a tudo responde

[Continuo a querer-te bem!]

Só não consigo esperar-te

domingo, 28 de abril de 2013

Abril 2013

Conheço-te dos dias de sol e de chuva

E, também, das noites

De todos os dias que terminam cedo demais


Conheço-me contigo

A sorrir

Nas palavras e silêncios


Conheço-me nas partidas

Com lágrimas cercadas num coração de arame

Com palavras de circunstância

E outras, que não o sendo, fazem companhia às lágrimas, no coração de arame


Conheço-me nas chegadas

Feliz

Como não possível de escrever


Como afirma a música

“Não há nada no universo

Que aconteça sem o não e sem o sim”


Mas, QUERO-TE tanto

[Talvez, em todos os dias que assim terminam cedo demais]


Até esses dias,

Elsa

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Amanhã o sol não surgirá no horizonte
A noite perdurará
A ilusão morrerá de frio

Primeiro sentirá as extremidades a arrefecer
Procurará o fogo
Sem o encontrar
Todo o corpo de ilusão entrará em hipotermia

A noite não será mais bela
[Nem uma vaca preta]

As estrelas por mais que brilhem
Não apagarão a solidão de nos sabermos sós

A memória há-de trair-nos
Em cada instante sem sol
Sabendo-o já uma quimera

A ilusão, essa, como disse,
Morrerá de frio

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Portugal,
Porque sepultas os sonhos do povo?

Do povo que estuda, trabalha, contribui,
Do povo que na ruína,
Insiste e persiste, na loucura

De não te abandonar

sexta-feira, 9 de novembro de 2012


Morrem-me sonhos
Devagarinho

Após dias, meses e anos
Comigo

Como é possível

Não me darem tempo
De lhes verificar o pulso e a respiração
Chamar o INEM
Colocar um plano duro
Iniciar-lhes suporte

Como é possível?!
Nem lhes conseguir colocar um acesso venoso

Como é possível?!
Sobreviver à eutanásia dos sonhos

sábado, 3 de novembro de 2012


Abro a porta de casa
Adivinho presentes as pessoas que amo
Não as procuro
Sei-as lá

Gostava de dizer
Que lhes senti a ausência
Que continuam a ser-me essenciais
Como tudo que amo

Não o faço
Ainda não tenho a chave da cela em que me prendo

Digo palavras de circunstância
Faço gestos de circunstância
Sou, concerteza, resultado de circunstâncias

Vou para o meu único quarto dos muitos em que vivo
Incapazes de me pertencer por ausência de passado

Pesa-me a Alma de sono
Resiste a Alma ao sono pela gana de revisitar as memórias

Revisitar a memória impele-me a escrever
Uma espécie de bálsamo para quem deseja memórias brilhantes

E, leio textos de outrora
Vejo imagens de outrora
Quase que adivinho sons de outrora

Raiva de ver tudo tão presente e tudo ser somente passado
Raiva dos sentidos que me traem
Raiva da consciência que não se deixa trair

Raiva de Ti,
Deus

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Será que ainda vamos a tempo
De viver o futuro

Esquecer os dias em que não trocamos palavras
As semanas em que não existiram abraços
Os meses em que nada soube de ti

Conseguirei estrangular a mágoa
A incerteza quanto ao teu amor

Durante quantos anos desejei ter a legitimidade de amar-te

Tens receitas para matar isso em mim
[Cianeto, cloreto de potássio ou apenas 4 gr de paracetamol,
O que recomendas?]

Terá sido “mea culpa”?

domingo, 13 de maio de 2012