sábado, 3 de novembro de 2012


Abro a porta de casa
Adivinho presentes as pessoas que amo
Não as procuro
Sei-as lá

Gostava de dizer
Que lhes senti a ausência
Que continuam a ser-me essenciais
Como tudo que amo

Não o faço
Ainda não tenho a chave da cela em que me prendo

Digo palavras de circunstância
Faço gestos de circunstância
Sou, concerteza, resultado de circunstâncias

Vou para o meu único quarto dos muitos em que vivo
Incapazes de me pertencer por ausência de passado

Pesa-me a Alma de sono
Resiste a Alma ao sono pela gana de revisitar as memórias

Revisitar a memória impele-me a escrever
Uma espécie de bálsamo para quem deseja memórias brilhantes

E, leio textos de outrora
Vejo imagens de outrora
Quase que adivinho sons de outrora

Raiva de ver tudo tão presente e tudo ser somente passado
Raiva dos sentidos que me traem
Raiva da consciência que não se deixa trair

Raiva de Ti,
Deus

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Será que ainda vamos a tempo
De viver o futuro

Esquecer os dias em que não trocamos palavras
As semanas em que não existiram abraços
Os meses em que nada soube de ti

Conseguirei estrangular a mágoa
A incerteza quanto ao teu amor

Durante quantos anos desejei ter a legitimidade de amar-te

Tens receitas para matar isso em mim
[Cianeto, cloreto de potássio ou apenas 4 gr de paracetamol,
O que recomendas?]

Terá sido “mea culpa”?

domingo, 13 de maio de 2012

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Não tenho palavras
Olhares ou gestos
Que matem a dor


A dor que permanece


Após as palavras
Olhares ou gestos
Que tenho


A dor que dói
Em quem a sente


A dor que dói
Em quem a vê sentir


Como digo,
Não tenho palavras

sábado, 29 de outubro de 2011

Hoje
Sou feliz

Ouço
A música que quero

Vivo
As pessoas que quero

Sou
O que quero
Menos, mais e o que quero

Haverá maior liberdade,
Do que aceitar o Presente?


Sou da verdade e da mentira
Sonho e realidade
Deus e Pessoa

Vejo-me a ser TUDO
Capaz de TUDO
Excepto pertencer-te


És capaz de perdoar-me?

terça-feira, 20 de setembro de 2011




Seguro o mundo na mão
Ele foge-me por entre os dedos

Seguro com as duas mãos
Ele foge-me por entre os dedos

Seguro-o com a alma
E ele é meu

[Acho-me capaz de o partilhar contigo]
3 Cenários

1º Cenário
Tarde de Domingo. Chegamos a casa após o café. O meu pai segura na mão um objecto cujo nome desconheço. Aproxima-se de uma árvore pequenina e desenterra-a para a voltar a enterrar na mata que rodeia a nossa habitação. Não é um cenário que já não tenha acontecido. Com as mesmas personagens. Termina todo o processo. Chove. E ele grita da mata enquanto contempla a árvore:
- Elsa abre a torneira para eu regar a árvore.
Chove.
- Pai… Chove!
- Correcção. Chove um bocadinho. Sai mais água da mangueira!

2º Cenário
Tarde de Domingo. Jogamos cartas (sueca) com os nossos amigos no café. É a vez do Sr. Domingos dar cartas.
Ele mostra a carta de trunfo e à volta coloca três aglomerados de cartas. Forma uma pirâmide.
Eu:
- O Sr. Domingos está a dar cartas ou a distribuir o tarot... Só falta o turbante para parecer a Maya.

3º Cenário
Tarde de um dia qualquer. Diz-me uma pessoa a falar de outra:
- Ela é pior do que o Espírito Santo!
- Não percebi!
- Pior do que o Espírito Santo… Está em toda a parte.


Meu amor
Ainda há quem possa morrer.

De amor!

segunda-feira, 8 de agosto de 2011


Palavras
Gestos
Pessoas cheias de palavras e gestos

Gestos
Pessoas
Palavras cheias de gestos e pessoas

Pessoas
Palavras
Gestos cheios de pessoas e palavras

Esta noite danças?

domingo, 12 de junho de 2011


Mudo a cor do cabelo, a marca do batom, o formato do biquíni que uso.
Mudo de roupa e de sapatos.
Mudo.

E gostava de mudar-me de mim.

Posso?

quinta-feira, 14 de abril de 2011


Concebo-me pessoa numa estória de amor
Não correspondido a todos
Apenas aquele


Em que encontrar
É medo de já não ser suficiente


Vejo-a ser levada
Sinto-a beijar-me com o olhar
Sigo-a


[Até perder o que sou]


Vejo-a ser despida
Para que o Deus dos Homens
Veja a sua imundice
Onde só vejo a mulher
[Que amo]


Planeiam esfola-la
Faço-os procurar a pedra
Que os constitui
Ficamos sós com o temp(l)o


Seguro-a nua
Quero-a. Abraço-a.
Foco-me na nossa hiperventilação
Quase a beijo


Abraço-a. Quero-a mais.

Não há tempo.

Mato-a com as minhas mãos


Pertenço-lhe e à sua elipse


Abandono-nos. Apedrejam-na.


Sei-me morto
Por um beijo que não foi dado


Pertenço-lhe