terça-feira, 2 de novembro de 2010


É cedo, de tão noite

Coimbra não dorme
Os meus vizinhos não dormem
Eu não durmo

Não sofremos por insónias
Nem por um qualquer amor

Não permanecemos acordados por obrigação
Nem por um qualquer delírio

Não fechamos os olhos por cansaço
Nem por nos sentirmos mortos

É cedo, de tão noite

E estamos vigilantes por esse orgasmo que é criar!

segunda-feira, 13 de setembro de 2010





Se pudesse voltar ao futuro
A esse lugar que me preenche
Ao qual sinto pertencer
Seria imortal

Libertar-me-ia

De um passado que já foi
De um presente que já não é
De Deus e de Cronos

Escoltaria o que sou
A minha obra

Salvaria a minha alma
S.O.S.

domingo, 12 de setembro de 2010


Não acredito em Princesas. Não acredito em príncipes. Não acredito em histórias de amor com finais do género … e foram felizes para sempre!
Não acredito em Finais Felizes!
Se são felizes, porque seriam finais?
Contudo existem sonhos em que consigo ser boa pessoa e conheço boas pessoas. E nesses sonhos eu posso ser o que sou e nada mais e posso ser o que sou e um pouco mais… Posso, compreendem? Nesses sonhos Cronos obedece-me acelerando os ponteiros nas ausências e diminuindo-lhes o ímpeto nas presenças. Nesses sonhos é possível o conhecimento mútuo, a sensação orgástica do toque, a sensação de que só seriamos felizes naquele momento, daquela vez!
Já disse. Não acredito em Finais Felizes! Acredito em sonhos felizes e de vez em quando em histórias felizes!
Acredito que o Amor, a par da arte, senão uma forma de arte, ajuda o Universo a ser Universo. A Humanidade a ser mais Humana, os Homens a ser mais Homens e, porque não, as Mulheres a ser mais Mulheres!
Aproxima-nos de Deus. Não desse Deus comercial “em qualquer igreja perto de si!”. Não desse Deus que julgamos Ser. Não desse Deus personalizado pelo Universo. Mas do Deus das pontes, das nossas pontes com o universo. Das pontes que conseguimos construir juntos.


Take my hand.

E permite-me continuar a viver histórias felizes!

segunda-feira, 23 de agosto de 2010




I
A escrita não se cria
Os caracteres são conhecidos
As palavras das esquinas que frequentas
As frases, frases feitas

As ideias
São de outros como tu

A Mensagem
Da Pessoa que resta em Ti

A escrita não se cria
Toda ela é transformação

II
Já disse.
Toda ela é transformação

A daquele que pensa
Escreve
Lê
Sente

O transformador

III
Já disse.
O transformador

Aquele que usa a sua língua,
Deus-Homem.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

100 palavras, com imagens





Papel branco.
É, em pânico,
Ter-se sensações confusas
Pensamentos revoltos
Ideias?!

É, em pânico,
Não ter nada

Escrito, válido

É a ausência de feitos
Ou a patologia mais temível
Do poeta escritor

A extinguir-se!



Imagens?

domingo, 8 de agosto de 2010




Pudesse eu ser o que desejas
E continuaríamos parte
Do todo

Viveríamos uma felicidade opaca
Própria da visão singular

Do todo não haveria percepção
A menos que eu pudesse ser o que sou

sexta-feira, 6 de agosto de 2010



Conseguiste sentir-te a parar-me a vida?!


Palpo-te a face
Com um olhar
Correspondido

Procuro adivinhar-te o corpo
Conhecer-te a essência
Sentir-te a alma

Encontro-me no teu sorriso
Na forma como gesticulas
Na sensibilidade que aparentas

Um encontro quase perfeito
Se ousares encontrar-me

[Estou a fugir de mim!]

Corto os pulsos
A dor preenche-me o cérebro momentos depois
E, sobretudo, antes

Vejo sangue a percorrer-me as mãos
Mancho a roupa que não vesti,
A pele

Dou-me a um chão que me abraça

Deus
Acaba de chegar
Vê-me deitada, nua, a pintar um chão
Que está a deixar de me pertencer

[Adivinho que pensou em contactar o INEM
Mas ficou receoso por não conseguir falar com nenhum enfermeiro]

Promete-me o pôr-do-sol para colorir
Gritando, baixinho,
Que tenho de dar mais do que sangue
Para merecer o final do dia
Terei de dar o TUDO que sou

Corto os pulsos

quinta-feira, 29 de julho de 2010


És-me
Tempestade em dias de sol
Sonho em momentos de insónia
Inspiração em dias,
Que são dias e noites!

Não me pertences,
Dás-me pedaços de Ti!

Quero-te inteiro…

[Sempre que Te consigas dar!]

Mãos
Que prolongam o que dizes

Inquietas, imóveis, bonitas

Que tocam
Num quase beijo
Que suportam
Num beijo completo

Elegantes, cicatrizadas, fortes

Que cuidam!

terça-feira, 6 de julho de 2010


Ainda
Sentes o vento tocar-te a face
A chuva lavar-te a alma
O mar beijar-te os pés?

Ainda
Consegues sentir o que queres?

Ou

Envolves a face com o sobretudo
Cobres a alma com o guarda-chuva
Deixas o mar beijar-te os pés!

Percorres essa praia
[Deserta]

Apertando o sobretudo
Aproximando o guarda-chuva

Deixando de seres tu
Para seres tu e o mar
[Sentindo-o beijar-te os pés!]

segunda-feira, 28 de junho de 2010


Deus,
Dá-me as coordenadas para sair deste labirinto.

Um mapa antigo.

Uma bússola.

Mas não digas que a morte é saída!
Mesmo cadáver,
Sei-me a continuar neste labirinto!

Dá-me a Poesia!

[E, eu prometo duvidar da Tua inexistência!]